Cidades na Literatura

1 out

Bairro do Cosme Velho no Rio de Janeiro (cerca de 1890)

 

“Não saía mais durante o dia; à noite pedia-me que a levasse a algum arrabalde distante da cidade, à Lagoa, ou ao Cosme-Velho.”

Lucíola – José de Alencar

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Chá com Jane Austen

25 mai

A Inglaterra transborda  cultura e com toda aquela bagagem  histórica aliada as belas paisagens e ao ótimo humor inglês você tem a literatura inglesa. A escritora Jane Austen faz parte disto. Escrita leve, deliciosa, e pitadas de ironia com inteligência. Depois que comecei a ler seus livros,  não largo mais :)  Mesmo depois de duzentos anos, Jane viveu no período regencial, ela continua mais pop que nunca.

Fiz um vídeozinho com os livros “Orgulho e Preconceito” e “Razão e Sensibilidade” da coleção Collector´s Library. Na Livraria Cultura, em São Paulo, o preço está em torno de R$25,00. Os livros dessa coleção são pequenos e bem delicados, como vê-se no vídeo e dá pra econtrar não só clássicos da  literatura inglesa mas também de outras nacionalidades, como o francês Victor Hugo.


As ecobags inspiradas em cenas dos livros da Jane, eu mesma fiz. Quem se interessar por elas é só mandar um email: raquel.cibien@gmail.com

Para quem quiser saber um pouquinho mais sobre Jane Austen aqui vão alguns links interessantes: Jane Austen em português, The Republic of Pemberley, Jane Austen Today

Jane Austen

Acho que Jane aparecerá muitas vezes por aqui ainda!!

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London, London…

1 abr
I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round, nowhere to go
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
Oh Sunday, Monday, Autumn pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them
It’s good at least, to live and I agree
He seems so pleased, at least
And it’s so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree

While my eyes go looking for flying saucers in the sky

I choose no face to look at, choose no way
I just happen to be here, and it’s ok
Green grass, blue eyes, grey sky
God bless silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say

While my eyes go looking for flying saucers in the sky

London, London (Caetano Veloso)

Assim como o Cidades na Literatura, inauguro aqui o Cidades na Música.

 

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Quando Gregor Samsa despertou…

1 abr

Primeira edição de "A Metamorfose"

 

A Metamorfose de Franz Kafka trouxe-me  um certo desconforto logo nas primeiras linhas.  Aterrorizou-me o fato como Gregor, personagem central do livro, sentira-se ao acordar naquele dia, mais um, em sua jornada de trabalho. Imaginar a cena em que Kafka narra Gregor acordando numa terrível transformação, é sim desconcertante. Isso foi agravando-se conforme eu devorava as poucas páginas dessa obra que acredito eu, ser a “obra prima” do autor tcheco.  Acredito que dê para captar muita coisa do que Kafka pensava e sentia, ele sempre colocou muito dele nos seus personagens e, em A Metamorfose, senti uma pessoa sensível e lendo outros contos do escritor senti talvez um sentimento de autopiedade. Esse sentimento de piedade foi apoderando-se de mim para com aquela criatura incompreendida que era Gregor. Aos poucos seus entes mais queridos o vão esquecendo, e assim Gregor Samsa transforma-se em uma “coisa” que precisa ser imediatamente posta de lado, já que esse não dava nenhum “benefício” mais a sua família. Por que manter a “coisa” dentro de casa?  Não imaginei que essa “A Metamorfose” viria a mudar totalmente a vida dos Samsas, sua família, e mais ainda seu destino como Gregor, Gregor Samsas o caixeiro-viajante.

 

“Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de inseto”

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Skoob – rede social literária

29 mar

Quem gosta de ler e compartlhar suas opiniões e achados no mundo da literatura talvez goste muito do Skoob, uma espécie de rede social literária descoberta por mim há pouco tempo.  No skoob você monta sua própria estante virtual de livros. A rede tem milhares de livros cadastrados  e você os divide em sua estante entre já lidos, lendo, vai ler, relendo e os que você desistiu da leitura. Além de avaliar cada livro em ruim, regular, bom, muito bom e ótimo, dá para fazer resenhas. É muito legal descobrir opiniões diferentes e outros pontos de vista sobre as obras literárias.

Os livros e a sua leitura são subjetivos quando se fala do que é bom ou ruim (continuo achando a saga vampiresca Crepúsculo uma bosta). Cada pessoa é um universo diferente e isso acaba refletindo na percepção de que cada um leva consigo sobre um tal personagem ou tal livro.

Meu perfil no Skoob

Minha estante de livros no Skoob

Quem quiser me acompanhar por lá é só clicar.

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Exposição Paris La Nuit

13 mar

Paris à noite - Fotografia de Brassai

Bons fotógrafos sabem captar o poder e as “luzes” da noite de uma grande cidade, por exemplo, Paris, e transformar essa aura misteriosa em belas fotografias, como é o caso do húngaro  Gyula Halász, mais conhecido como Brassai. A exposição Paris à noite tem o apoio da Delegação Geral da Aliança Francesa do Brasil e mostra quase cem fotos em preto-e-branco do fotógrafo Brassai. Fotos tiradas no início do século XX, onde Brassai nos mostra através das lentes da câmera e através de sua percepção uma Paris boêmia ao fotografar casais nos bares e cafés e uma Paris  iluminada somente pelos postes públicos ou pelos faróis de carros, como o de Picasso, seu amigo na época. A exposição está em Fortaleza até 01 de maio, depois segue para Recife, Curitiba, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Enquanto a exposição não chega em São Paulo, me contento em apreciar suas fotos pela internet. Espero que gostem também.

Casal em algum café francês

Escadarias de Montmartre

O que estariam olhando?

As luzes da "Cidade Luz"

Você até consegue imaginar Sartre...

Lembrei de um livro que vi na prateleira de uma das lojas Siciliano, com inúmeras fotos de Paris, chamado Paris Doisneau. Acabei não comprando por estar meio carinho (não sou pão dura,tá?). Aqui vai o link para quem se interessar… Ah, quem sabe as fotografias do livro possam ser tema para um futuro post ;)

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Cidades na Literatura: Paris

7 mar

“Se você não se alimentava bem em Paris, tinha sempre uma fome danada, pois todas as padarias exibiam coisas maravilhosas em suas vitrinas e muitas pessoas comiam ao ar livre, em mesas na calçada, de modo que por toda a parte via comida ou sentia o seu cheiro. Se você abandonou o jornalismo e ninguém nos Estados Unidos se interessa em publicar o que está escrevendo, se é obrigado a mentir em casa, explicando que já almoçara com alguém, o melhor que tem a fazer é passear nos jardins do Luxembourg, onde não via nem cheirava comida, desde a Place de l’Observatoire até arue de Vaugirard. Poderá sempre entrar no Musée du Luxembourg, onde todos os quadros ficam mais vivos, mais claros e mais belos quando se está com a barriga vazia, roído de fome.”

Paris é uma festa (Ernest Hemingway)

Estou iniciando aqui a Coluna “Cidades na Literatura”, onde pesquisarei alguns enxertos de livros em que seus escritores citam cidades e suas curiosidades. Quem tiver alguma idéia ou dica, mande para culturetable@gmail.com :)

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O inverso…

5 mar

Moça com Brinco de Pérola - Filme e Livro

 

Há um tempo atrás, zapeando os canais da tv em busca de algum filme para assistir, parei em algum telecine da vida (no momento não lembro qual) ao me deparar com o nome “Moça com brinco de pérola”, nome esse do famoso quadro do pintor holandes Johannes Vermeer e também nome do livro de Tracy Chevalier.  O filme, baseado no livro, é dirigido pelo inglês Peter Webber e tem como personagem principal a jovem Griet (interpretada por Scarlett Johansson), que trabalha como empregada na casa de Vermeer (interpretado por Colin Firth, que recentemente levou uma estatueta do Oscar de melhor ator por O Discurso do rei). Lá, digamos, a moça “se encontra” na arte e tem uma fascinação, um certo amor platônico por Vermeer. Logo ela passa a ser a musa inspiradora do pintor, musa talvez de um dos quadros mais enigmáticos e misteriosos da arte, pois, assim como a Monalisa de Da Vinci, “A  Moça” de Vermeer é desconhecida e não se sabe ao certo que sentimento ela passa a quem aprecia o quadro. No filme, você somente supõe o que se passa na cabeça do calado pintor, se é somente um respeito por Griet, em virtude dela admirar seu trabalho e servir de pano para um dos seus quadros, ou se realmente há ali algum tipo de amor  que, por conta da época e das circunstâncias, não pôde ser alimentado. Logo, me chamaram atenção a fotografia do filme, e a iluminação das cenas, feitas com muito cuidado para se assemelhar com os tons encontrados nas obras do pintor. O ritmo do filme é lento, nada hollyoodiano, e com extrema poesia. Poesia essa, fui motivada pela delicadeza do filme em buscar o tal livro, que esperei e estava crente que iria encontrar nas páginas mais doses de “arte e lirismo”, pois quase sempre os livros, em muitos aspectos,  saem ganhando dos roteiros adaptados para o cinema. E não é que me deparo com uma estória totalmente corrida, sem sutileza aguma!? Parece que a autora está correndo contra o tempo (depois pesquisando sobre a escritora, acabei constando que a mesma estava grávida e tinha um prazo, portanto, para entregar o livro a editora), deixa o leitor assustado com os cortes abruptos de “cenas” e figuras de linguagem fracassadas para tentar dar mais lirismo a coisa, como por ex:

Cortava legumes na cozinha quando ouvi vozes na porta da frente de nossa casa: uma voz feminina e radiante como latão polido, e a de um homem, grave e sombria como a madeira da mesa onde eu estava trabalhando. Eram vozes que raramente ouvíamos em nossa casa. Havia nelas ricas alcatifas, livros, pérolas e peles (trecho livro “A moça com brinco de pérola).

Agora comparando com esse trecho de Eurico, o Presbítero (Alexandre Herculano) é fácil notar a diferença e o bom senso, já que, comparar o sussurro de um pinhal com o coro de finados e o grito da ave com uma blasfêmia do que não crê em Deus faz sentido.

em que o sussurro do pinhal é como um coro de finados, o despenho da torrente como um ameaçar de assassino, o grito da ave noturna como uma blasfêmia do que não crê em Deus

Não consigo imaginar uma voz radiante como latão polido e nem a grave e sombria como a madeira de uma mesa, é grosseiro, sem sentido e que tira o ritmo da leitura. Esse tipo de uso de figura de linguagem é muito forçada, na minha humilde opinião.

Além disso, os personagens do livro não tem muita profundidade de idéias e sentimentos. Ao chegar no final a escritora dá a estória um fim corrido e com todos os pormenores explicados. No filme, a última cena tem uma carga totalmente subjetiva… Onde os muito “finais” ficam por conta de quem assiste. Não poderia ser um final diferente para um filme que desde a primeira cena faz você não saber o que acontece, está acontecendo ou poderá acontecer. Ao contrário do que normalmente acontece, a poesia ficou com a telona e não com as páginas do livro.

Moça com Brinco de Pérola (1665/1666 Johannes Vermeer)

Scarlett Johansson em "Moça com Brinco de Pérola"

Cenas do filme Moça com Brinco de Pérola com Colin Firth e Scarlett Johansson

 

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